Preambulações…

Tenho andado por aí. Tenho procurado encontrar caminhos e deleites. Tenho olhado pra pessoas e coisas e tentado ver tudo o que elas têm por detrás de si mesmas. Cada lugar pode oferecer experiências inimagináveis. Em cada lugar, podemos encontrar pessoas que conseguem nos proporcionar grandes prazeres. Conheci muitas pessoas nessas últimas semanas. Vivi coisas que aconteceram mais dentro do que fora de mim. Entendi que, por prodigalidade, não devo mantê-las do lado de dentro; elas precisam ser expressas. Então, aleatoriamente, sem regra, vou falar sobre essas pessoas e/ou experiências que encontrei, porque tudo o que se leva do mundo é aquilo que se aprende com cada uma dessas situações.

A primeira pessoa que vou citar é a Maybi. Pessoa rica de cores e vida, tem tanto a oferecer pro mundo! Essa, eu reencontrei. A gente aprende muito com as pessoas, e essa tem me ensinado diariamente. Atualmente é com quem mais tenho convivido, e quem tem me proporcionado grande parte dessas novas experiências. Tem me feito pensar sobre tudo o que sou, mas mais que isso, sobre o que quero ser. Como tenho aprendido com ela!

Dessa vez, tô aqui mesmo pra agradecer. Você tem feito muito por mim, flor. Obrigada por nascer no meu jardim!

Sigamos preambulando, porque todo começo é um caminho a seguir.

Apaga a luz

–Apaga a luz…

–Mas eu já estou indo, você não prefere ficar com ela acesa? –Não, apaga a luz. O escuro traz a ilusão de que não estou sozinha. Apaga antes de ir… Não quero ver você se afastando. –Mas você sabe que eu não volto, precisa continuar enxergando. –Não, prefiro ter seu rosto como minha última recordação. Se a luz estiver acesa, lembrarei do teto, das coisas ao redor, tudo muito sólido, muito concreto. Prefiro seu rosto e mais nada. Não quero lembrar do real, seu rosto soa mais sonho pra mim. Depois eu durmo e não lembro mais de nada. –Mas quando dorme, você não lembra? –Não. Quando durmo, eu morro. Dormir é bom… –Deus me livre!!! –Do quê? –De morrer… –Você acredita? –Em Deus? Não. –Na morte. –Nela sim. –Eu não. Morrer é que nem viver, só que ao contrário. Sonhar é o prelúdio. Por isso o sonho é bom. Não é nem lá, nem cá. Bom que esqueço de viver. –Você sabe, vou indo. –Eu sei. Não quero. –Mas vou. –Por isso, apaga a luz. –Não acho bom que você fique no escuro, precisa da luz pra sair daí. –Não me importo, não sairei mais. Não será preciso. –Você diz como se não houvesse mais nada. –Não há. –Mas por que você se prende assim? –Não há. Acho engraçado você acreditar na morte e não acreditar em Deus. –Sei lá dessas coisas, o que me importa é que você não fique no escuro. –A luz vai, não há outra forma. Eu fico. É melhor me acostumar desde o começo. Depois será constante, de qualquer forma. –Mas o sol vai nascer uma hora. –Meus olhos não enxergarão. Já estarão cegos, até lá. Você sabe, ficarei inerte em pouco tempo. –Tudo isso? –Escuta, um homem passa lá fora… –Tudo isso? –Olha, é você sorrindo… –Tudo isso? –Sente, é o vento que trouxe seu cheiro até mim… –Tudo isso? –Me tocou. –Já vou indo. –Está bem… Mas, antes de ir, apaga a luz.

DE BOCA A BARLAVENTO

O poema, escrito por Corsino Fortes, é uma demonstração da força e beleza da poesia africana de língua portuguesa. Corsino, poeta cabo verdiano, imprime em sua escrita o comprometimento com a linguagem e com o universo de Cabo Verde. Faz uso de fonemas crioulos, traz na musicalidade de seus poemas o tambor crioulo. Observando, podemos encontrar uma aproximação à poética de João Cabral de Melo Neto. Este poema está em Pão & Fonema, de 1974.

Leia África!

Dia do Profissional de Letras

Livros!
Letras: profissão de amor.  Estudar, ler, escrever. Letras engloba o mais profundo do ser, suas manifestações mais genuínas, o retrato do pensamento de toda uma geração.  Letras que formam o texto, tecido. Aquele que envolve o corpo, esconde e mostra. Esconde: aquilo que não é permitido ver. Mostra: tudo o que se quer ser.  Letra, palavra que compõe todas as palavras. Jostapostas, entrepostas, sequencialmente organizadas, desorganizam o pensamento: provoca.  Ler a letra escrita, a palavra solta, o conjunto, a história.  Letras é interpretação de verbo, é verve.  Letras, como se lê o mundo.     Parabéns a nós!